29 de setembro de 2009

Velhice.


Aterroriza-me. Assustam-me os problemas físicos, a perda da qualidade de vida, a inevitabilidade do fim. Mais do que a minha, a dos que me rodeiam. Amedronta-me pensar que vou assistir, impotente, ao declínio físico, cognitivo e psicológico dos meus pais, apesar de eles ainda serem novíssimos e estarem óptimos.

Não acho as rugas bonitas (vá, podemos excluir o George Clooney?). Consigo bem imaginar a idade da pessoa que inventou a história romântica da beleza das rugas e de serem histórias de vida. Sim, está bem. Prefiro ter as minhas histórias de vida na minha memória do que em exposição na minha cara mas obrigadinho à mesma, sim? Não acredito que alguém prefira ter rugas do que não ter. Que alguém prefira ter cabelos brancos do que não ter. Tal como ninguém prefere ver mal ao perto, ouvir pior, usar dentadura, ter dores nas articulações, não ter a mesma energia física ou ter perdas de memória. Porque significam todas a mesma coisa: não estamos a ficar mais novos. Apesar de não me conseguir imaginar com uma bolsa de pele descaída nos braços e outra debaixo do queixo, esta é a parte fútil e minúscula do problema. Não me quero é, um dia, reconhecer nos velhotes que vejo no hospital, hipertensos, diabéticos, insuficientes cardíacos, incontinentes, com problemas de mobilização, alguns sem noção nenhuma do próprio estado confusional.

Não me consigo imaginar a envelhecer tranquila e serenamente. Pronto, é isso. Deve ser uma coisa óptima e maravilhosa e romântica, que nem coelhinhos brancos a correr no bosque, para quem consegue. Mas, para mim, é uma treta. Não passo os dias a pensar nisto, canalizo muito bem a minha energia para coisas mais produtivas. Felizmente. Mas estar diariamente num Hospital faz-me pensar mais nisso do que se não estivesse.







34 comentários:

Dexter disse...

De facto no Hospital deves assistir a situações bem chocantes, que eu n tenho noção. E pensar que um podemos ser assim, se lá chegarmos, acaba por ser um bcd triste, quer queiramos quer n. É que essas pessoas um dia já foram como nós, cheios de vida, sonhos e planos.

Miss Kitty disse...

Pois... Eu também acho que não vou gostar de ver rugas e cabelos brancos por aqui. Mas é como tudo, aprende-se a viver com isso.

BJS*

♥ Guida disse...

Cat, devias ser multada por escrever este post!

Também penso muito nisto, e espero ter uma velhice sem muitos tumultos.


Beijinho

pedro disse...

vais ter que aprender a viver com isso =/

ADEK disse...

Vais envelhecer graciosamente, don't worry! (Sim, tantas horas no hospital dão a volta à cabeça e fazem pensar em coisas tramadas:X)*

S* disse...

Assusta-me ficar entravada e doente. Dependente!

Kikas disse...

oh Cat'zinha, quando escolheste o teu percurso de vida de certeza que pensaste nisso! pensa antes o que podes fazer por essas pessoas e o que podes fazer por ti e pelos teus para evitar isso :) vá, não penses mais nisso :p mas também preferia morrer assim de repente do que pronto.. xD

Rosie Dunne disse...

ora ai está uma coisa em que não gosto nada de pensar: na velhice! Também me assusta um bocadinho...

~ rita disse...

É aproveitar enquanto se está para as curvas!

Joana disse...

O que me mete mais medo, é a vem a seguir á velhice, isso sim mete medo. Morte, só o nome arrepia :x A velhice é bonita :) E sim, eu gosto de ver as velhinhas todas com a cabelinho branco que parece uma nuvem de algodão! :D Só não gosto quando anda um branco ali, outro ali.. Mas pronto :) Todos lá chegamos

inês bandeira disse...

depois das intensas dores menstruais com que me encontro, mais febre e desmaios (sim, isto aqui fica sempre muito bonito): ONDE ANDAS MENOPAUSA? venha a velhice.

Sílvia disse...

Acho que o que mais me assusta é envelhecer e depois não conseguir tratar de mim, ou seja, ter que estar dependente de alguém. Isso é prolongar o sofrimento de quem está a cuidar de mim e de mim própria por saber que não posso reverter a aituação...

bjo****

Nii disse...

Como te compreendo Cat. Também penso muito nisso. Sim não 'e comum, tenho apenas 21, e tempo para pensar nisso. Mas assim como tu, também me encontro no meio... Acabei o curso este ano, sou assistente social (é estranho dizer... "SOU" hihi ms sou mesmo :P) e os meus estágios curriculares foram sempre realizados tendo como população alvo idosos... e agora estou em estágio profissional e contínuo na mesma área.Estou no Serviço de Apoio Domiciliário e nas visitas domiciliárias vejo e sinto cada coisa... deixa-me mesmo triste. Mas esta é sem dúvida a minha àrea de eleição, não posso voltar a dar-lhes tudo que perderam com o tempo, mas espero conseguir diminuir a dor física e psicológica um pouco que seja...

Beijinho Cat*

Bea disse...

Por acaso também penso muitas vezes nisso. acho que vou odiar, aliás não me imagino sequer a envelhecer. e quando penso nos meus pais então... esquece! beijinho

Jhor!Ge_Mi~}gUel// disse...

Velhice?
Há modo de combater? Sim.
Há uma solução que vai contra a imposição social e cristã de se festejar aniversários ou seja contra o comemorar de mais um ano de envelhecimento
(que começa assim que nascemos! – La Palice não diria melhor!).
E que solução é essa?
Simplesmente não se celebrar o dia de anos.
E assim pode-se esquecer o avanço inexorável do tempo.
O festejar da vida, do convívio, da família, dos amigos, poderá ser feito noutras ocasiões.
Festanças informais até podem ser bem mais giras do que compulsivas solenizações formais.
Experimenta. Poderás possivelmente assim conseguir um erase mental aos pensamentos que a laboração no hospital induz.
(por estas e por outras é que sempre pouca atractividade encontrei em trabalhos relacionados com a saúde – só o cheiro a éter das instalações começa logo a fazer-me contracções estomacais!)

Cheese Maker disse...

sabes? por vezes e em tom de brincadeira, digo a amigos que sinto q não vou gostar de me ver envelhecer... embora todos digam que não aparento a idade que tenho e embora continue a ter miúdos de 20 anos a "baterem-me o coro" constantemente, sei q o meu medo vai ser exactamente ver-me com rugas e incapacitada de fazer algo por mim própria...

Assim como tu não passo a vida a pensar nisto, nem devo... mas quando penso, fico aterrorizada!!!

bjinhos

Alessandro disse...

Getting old is the price you pay for being young :)

bjs

D* disse...

Assusta-me mais pensar no declínio dos meus pais do que na minha, porque ainda me faltam muitos anos até lá chegar mas os meus pais já estão a caminhar para lá (embora eles ainda estejam muito bem de idade!). Quanto às rugas e afins, não sei que dizer, é natural...

Beijinho**

Maria disse...

Ás vezes também me ponho a pensar nisso.. Envelhecer saudavelmente acho que é o "sonho" de qualquer uma de nós, mas é tão díficil...!

beijinho.

Billa disse...

Confesso que isso a mim também me faz uma enorme confusão! Mas ao mesmo tempo uma vontade enorme de aproveitar a vida ao máximo, e principalmente cada dia, porque podemos nem sequer chegar a esse estado, o que é bem pior!

Red Tape disse...

Que tal encontrarmos o elixir da juventude? Em vez de estarmos aqui em mútuo flagelação, que só falta mesmo é abrir uma vala comum, mais valia pensarmos que vamos ser jovens eternamente.

Pelo menos é um pensamento positivo, até podemos morrer a pensar que quase o encontramos. Pode ser? Hein? Han? Oi? Hum?

Jedi Master Atomic disse...

"Que alguém prefira ter cabelos brancos do que não ter."

Olha que não sei. O Tom Cruise no "Colateral" até ficava bem, todo grisalho :P

Lia disse...

Não me assusta as rugas, nem os cabelos brancos. Assusta-me a dependência dos outros...

Olhos Dourados disse...

Também tenho medo, mas prefiro ainda não pensar nisso.

Lady me disse...

A mim também me aterroriza muito mesmo!

Faz de Conta disse...

A mim tudo me assusta... a parte física, a saúde, a depedência de outros, o não poder andar à beira mar, mal conseguir ouvir, não ver, enfim... Fiz este ano 30 anos e na véspera estava tão mal humorada que já nem eu própria me aturava. Quando chegar aos 40 não sei como vai ser... e por ai adiante...

Susaninha disse...

Vim aqui para de PARAQUEDAS..E o engracado é que ontem falei com uma grande Amiga sobre isto....

Nao se pode pensar muito..porque senão..aiiiiiiii:)
TEMOS QUE VIVER SEMPRE DA MELHOR MANEIRA POSSIVEL ...
Solo se vive una vez:):)

SUUUUUUUUUrrisinhos :):)

Paula disse...

A minha mãe trabalhou no HS Maria muitos anos.
E lembro-me de ir ter com ela e ver aquele sofrimento todo (tanto por parte dela, como de outros).
É o curso normal da vida; a velhice.
As coisas más que dela advém... Já dispensava, já...
:)

co2 disse...

Não te preocupes tanto porque a velhice vai-se instalando "de mansinho".
Era pior, muito mais traumatizante, se um dia nos deitássemos novos e acordássemos velhos enrugados e carcomidos.
Ninguém gosta de ficar velho. Essa história do romantismo das rugas, está para a velhice, como a pseudo-alegria extraordinária está para os gordos. Eu fico preocupado quando tenho de alargar um furo ao cinto, por isso é-me fácil imaginar a "alegria" de sofrer de obesidade mórbida.
Agora também acho que não vale a pena passarmos a vida a pensar que vamos ficar velhos.
Antes ficar velho do que morrer novo. eheheh

Cat disse...

Dexter: pois já, já foram pessoas como nós. E assusta olhar e não conseguir vislumbrar nada disso, nada do que foram ='/

Miss Kitty: que remédio!

Guida: devia ser multada, até eu concordo! Agora pensei mais tempo sobre isso do que teria pensado se não tivesse escrito o que escrevi! =/

pedro: curto e directo! xD

ADEK: vou, vou..! :o (agora é a parte em que eu me comporto como uma adolescente e digo: ninguém me compreende!)

S*: ME-DO!

Kikas: claro que pensei muito antes de ir para Medicina. Mas isso não me torna insensível às coisas e ao sofrimento e ainda bem (digo eu :))

Rosie Dunne: então vamos mudar de assunto :)

~rita: pois :)

Joana: aposto que gostas mais de as ver com o cabelo branco do que elas a si próprias ;)

inês bandeira: ahahahahah, ri-me tanto, querida! Acho que foi o único comentário não depressivo que houve por aqui :D xD

Silvia: a dependência assusta MUITO!

Nii: percebo-te muito bem. Pensar mais nisso e ter mais contacto com diversas situações é também um encorajamento e uma satisfação por saber que podemos fazer alguma coisa, mesmo que pouca, pelas pessoas :)

Bea: esquece mesmo! Até fico com um nó na garganta! =$

Jorge Miguel: eu agora acho que até...gosto (GOD!) do cheiro a éter. Cheira a familiar, cheira a desinfecção :) Isso seria excelente... Já me fartei de pensar nisso: daqui a uns anos, deixo de comemorar. Mas, na prática, deve ser tão dificil. Não podes obrigar toda a gente a esquecer-se do teu aniversário!

Cheese Maker: eu fico mal quando me deito a pensar nisso por isso tento ao máximo afastar esses pensamentos (este post não foi uma boa ideia! :P) mas não é fácil! Como já comentaram aí, ao menos não se instala de um dia para o outro. Nunca vamos adormecer esbeltas e acordar cheias de rugas. Deve ajudar à habituação...

Alessandro: excelente frase :) O pior é que ser novo vicia e ninguém quer ter de pagar por isso!

D*: sim, isso é petrificante para mim, mesmo!

Maria: neste momento, parece-me impossível. Espero que quando lá chegar já não!

Billa: pensando nisso, se calhar, se não tivessemos a certeza de que seria esse o nosso destino inevitavel, nunca aproveitaríamos tanto o presente (e mesmo assim, muitas vezes, não aproveitamos!)

Red Tape: yeaah, eu alinho nessa! :D

Jedi: isso foi só para contrariar que os homens não elogiam homens, do post abaixo, não foi? :P

Lia: claro que a dependência também me assusta muito mais do que o resto!

Olhos Dourados: é o melhor mesmo!

Lady me: parece que a todos... =$

Faz de Conta: eu acho que desde os 18 que me dá uma neurazinha quando faço anos. Mas 20, 30, 40, ..., são marcos mesmo =$

Susaninha: então bem-vinda e espero que voltes :) É evitar pensar, sim!

Paula: eu também dispensava bem ;)

co2: pois, é essa a minha "esperança" de a viver mais tranquilamente do que espero...é o instalar-se devagarinho. Claro, claro, muito melhor do que morrer novo :) Excelente comentário! :)

Filipa disse...

Revi-me TANTO no teu texto! Posso citá-lo no meu blogue? Com referência à autora, claro!

Beijinho

Cat disse...

Filipa: claro! O prazer é todo o meu :)

Margarida disse...

Olha, isso é tão meu... E não trabalho nem tenciono trabalhar num hospital. Se calhar, ainda bem. Porque eu penso tanto nisso que se trabalhasse seria, muito provavelmente, pior. :x

**

Cat disse...

Margarida: acho que toda a gente pensa nisso, apesar de tentar evitar.. :/